Muito se faz confusão atualmente com o diagnóstico de alergia à proteína do leite de vaca (APLV) e da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), além da relação entre elas.

 Os sintomas da DRGE incluem regurgitações ou vômitos, baixo ganho ponderal, irritabilidade, incômodo para mamar, recusa alimentar, arqueamento de tronco, soluços excessivos e até cianose (ficar roxo).Contudo, a maioria dos bebês que regurgitam, com adequado ganho ponderal, tem refluxo fisiológico, que não requer tratamento específico.

Os sintomas da APLV (Alergia a proteína do leite de vaca) incluem sintomas gastrointestinais, respiratórios e/ou de pele. Podem estar presentes só um ou diversos sintomas diferentes, porém sintomas exclusivamente respiratórios dificilmente são atribuídos a alergia alimentar.

A doença do refluxo tem como causa a APLV em uma parte dos casos. Por isso, as revisões internacionais sobre doença do refluxo em lactentes jovens são unânimes em não se medicar o lactente como primeira escolha do tratamento, e sim, recomenda-se mudanças na dieta com melhor eficácia.

 Em aleitamento materno exclusivo, sob suspeita clínica de doença do refluxo gastroesofágico, a primeira medida terapêutica deve ser a exclusão de leite e derivados da dieta da mãe. E como o refluxo tende a melhorar com o tempo, o desencadeamento (teste em que a mãe volta a consumir leite e/ou derivados) é uma etapa imprescindível do diagnóstico. Um bebê com APLV vai necessariamente melhorar enquanto a mãe fizer a dieta, e vai ter sintomas após o teste de desencadeamento. Se não apresentar nenhum sintoma após o teste, o diagnóstico de APLV é descartado. Lembrando que os exames complementares podem ajudar, mas podem ser dispensados conforme o quadro clínico do bebê.

 Importante frisar que o diagnóstico de DRGE e/ou APLV deve ser realizado pelo Pediatra que acompanha a criança,ou por um Gastropediatra.

Dra. Juliana PraçaValente

CRM 113804

GastroenterologiaPediátrica

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